Eu ando com enormes problemas para começar os assuntos aqui. Não lembro de ter essa dificuldade há alguns anos, mas sei que agora ela me acompanha constantemente (é, eu sei que estou ficando velho, não precisam ficar dizendo =/).
Comecei a aceitar melhor esse fato quando o Google lançou o Buzz e eu, obviamente, odiei. Quis escrever um monte de malcriações num post gigantesco mas simplesmente não consegui. Sim, fiquei frustrado, mas o que se há de fazer? Eu continuo achando que se não tenho nada que considere bom o suficiente para dizer, é melhor ficar calado. Fiquei.
Mas hoje, enquanto me recuperava de um plantão nada agradável, que me fez acordar as 04:20 da manhã e só voltar para casa as 10:40, comecei a ler as notícias do mundo e fazer pequenas notas mentais para escrever textos fenomenais ou ter conversas divertidas com o pessoal do trabalho. Percebi que a cada notícia eu empilhava mais e mais assuntos e que eles nunca virariam posts ou, no máximo, me transformariam em um “RSS vivo” (aqueles chatos que ficam metralhando seus colegas com tudo que leram na última edição da Veja, sacam?).
Fiquei inquieto com isso, porque tive vontade de escrever, mas deixei para lá. E eu gosto de escrever, porra! Muitos colegas até falam que eu sou uma pessoa “-v”, já pensou? (nah, a piada vai só para quem entende de computação, não vou explicar :D)
Quando finalmente me decidi e abri o editor para escrever, foi porque lembrei de um filme do Gus Van Sant, com Sean Connery e Rob Brow: Finding Forrester (2000). O filme é famoso e tudo, mas para quem não conhece, conta a história de um adolescente negro que mora com a mãe num bairro pobre dos Estados Unidos. Ele gosta de Basquete, fala como rapper, estuda em escola pública e tem todos aqueles estereótipos possíveis de se imaginar. No entanto, há um diferencial: o garoto tem um talento enorme para escrever.
Nesse mesmo bairro mora um camarada “esquisito”, aquele tipo recluso que vive observando o mundo a partir de sua janela sombria com um par de binóculos. Fácil de imaginar, né? Pois é. Só sei que depois de apostar que consegue entrar escondido na casa do velhote, e de ser pego por ele no meio da brincadeira, os dois desenvolvem uma grande amizade. O velho esquisito era na verdade um grande escritor, autor do que foi considerado o grande romance século. Nesse meio tempo, por causa de um concurso de literatura, o garoto ganha uma bolsa para estudar em uma escola particular e lá conhece o seu antagonista: um professor extremamente rígido que, obviamente, duvida das capacidades do menino desde o princípio.
A partir daí todo mundo já imagina como a história se desenvolve, né? Tem até uma menininha no meio da conversa e tudo mais. Só que apesar de alguns clichês batidos, o filme é extremamente inspirador e contém frases e diálogos “assassinos”, como esse:
Jamal: Did you ever enter a writin’ contest?
Forrester: Yeah, once.
Jamal: Did you win?
Forrester: Well of course I won!
Jamal: You win like money or somethin’?
Forrester: No.
Jamal: Well, whadchu win?
Forrester: The Pulitzer.
Vocês todos falam inglês, né? Ótimo. Além desse pedacinho, que é ao mesmo tempo engraçado e incrivelmente egocêntrico, tem a parte que me devolveu o ânimo para escrever isso tudo:
Forrester: No thinking – that comes later. You must write your first draft with your heart. You rewrite with your head. The first key to writing is… to write, not to think!
E eis uma coisa que é bem verdade. Escrever é mais escrever do que pensar. Pensar vem depois. É lapidar, arrumar, melhorar, mas escrever, como se diz no popular, “é mandar ver”. Acho que se começasse a seguir mais essa ideia e deixasse a minha mania de apagar duas de cada três palavras que escrevo para melhorar o texto em tempo real, esse Blog e todas as outras coisas não estariam tão abandonadas. Talvez eu devesse ter feito uma resolução de ano-novo pensando nisso, né? Bem, acho que vou deixar para o próximo.